O prédio de azulejos perdidos

Num dia desaparecido
no tempo,
no meio da multidão
me encontrava eu.

Empurrão após empurrão,
após tudo o que sofreu,
se encontrava levantado,
alto, um grande prédio,
cansado e desgastado.

Sem razão nem forma
se conforma
com o mundo à sua volta,
e se forma
um véu de indiferença
que o cobre;
ninguém o prédio descobre.

Preso, cumpre a pena
que lhe foi atribuída
no inferno de gente.
Na rua perdida,
na memória fugida,
se encontra a sua vida.

Arranha os céus,
arranha a calma
da alma,
arranha o coração
de quem vão
ali não passa,
arranha o mundo,
arranha tudo.

Chora
a hora
que o levou ali.

As suas paredes
de azulejos perdidos
refletem as reles
sombras que perpassam.

Debaixo,
apenas o bruto produto
do que se tornou,
de quem a máscara
pousou.

Libertou um breve gemido
sofrido, engolido
pelo vento,
perdido
no tempo.

Ninguém o viu.

Ninguém ouviu.

31.05.2016

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