Vilão

Nisto tudo sou o vilão,
e sei-o.
Mas creio
ter razão
para o ser,
quando no amanhecer
da inspiração
sinto entorpecer
o meu coração,
que, sem outra opção,
se resume a ser,
existir sem querer;
ter que estar
onde não quer,
com quem não quer.
 
Mas não, não me leiam mal,
não pretendo de maneira formal
justificar o mal
que sei que cometo
ao praticar, normal,
os atos que pratico.
 
Acreditem, facilmente deteto
no meu ser
um desprezo natural
que, quase involuntariamente, injeto
em tudo à minha volta.
 
E a todo esse desprezo
não me escapo eu ileso,
e, preso
à auto-aversão,
sigo em direção
à derradeira criação
que esta mão
alguma vez criará.
21.05.2016
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