A Pena

A pena pede para ser
compreendida.
Mas não desta vez.
Desta vez deixa
a verdade escondida
entre as linhas
escritas pela
mão sofrida.

Escondida,
mas não impossível
de encontrar,
pois para a achar
leva apenas outra alma
tão colorida
como a sua para
o significado se desvendar acessível.

Esta pena, solitária,
percorre o seu mundo de rochedos e precipícios
para tentar achar a necessária
razão de ser;
força contrária
à adversária nuvem negra.
Mas entre os seus esforços sopra o vento,
que com notável alento dispersa os pedaços.

Para achar o seu branco lírio
mergulha no delírio
de um penoso martírio,
entre espinhos colossais
da terra sobressaídos,
que nos seus divinais
poderes de espinhos
arrasam o vigor, caído.

Os palitos de algodão verde
decaem e esvoaçam,
levados pela força do vento,
assemelhando a pena branca,
agora cinza,
planando na brisa
do sentimento
que o bico vomita.

Pelo mundo viaja
a triste pena solitária
em busca da sua
manda flor da paz,
única capaz
de a necessária
estabilidade,
contrária à vontade, encontrar.

Flutuando em devaneios,
em rodeios se encontra,
receosa de achar
a sua linda flor,
com medo de voltar
à dolorosa dor
da incerteza
que advém com o equilíbrio.

Voando em pensamentos,
penosamente desce
da espiral infinita
para prestar
uma visita
à pequena flor lá em baixo.
Mas não se atreve a mergulhar,
limita-se a observar.

09.05.2016

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