Entre todo este querer

Entre todo este querer
e não poder,
estar
e não viver,
me encontro eu,
incapacitado
de a vida percorrer
devidamente.

As algas que me agarram
e amarram
ao fundo do mar
me impedem de respirar
o delicioso ar
da confiança e segurança,
restando-me sufocar
no pestilento ar da sensaboria.

Porque não consigo?
É algo a que não consigo
responder,
muito menos compreender.
Serei eu tão exíguo
ao ponto de sobre o meu ambíguo
pensamento não conseguir exercer
qualquer controlo?

Mas hoje chega,
por hoje me rendo.
Sinto-me tão mais incapaz
hoje que nos outros dias
de encontrar paz
entre a dolorosa companhia
de que me constituo
eu.

À porta das traseiras
me dirijo
para sair.
Acabou-se, desisto,
preciso de fugir disto
a que estou acorrentado
antes que o passado
me volte a atormentar.

No meu esconderijo
não tão escondido,
sozinho me aflijo
e debruço
sobre os males da consciência,
e revisto
a existência
com indiferença.

Da caverna me retiro
e atiro
ao fundo do mar,
que me engole
nas suas ondas
sem hesitar
nem pensar
que também sou alguém.

E esquecido me deixo estar,
navegando nas ondas do mar
violento que me guia
aonde for necessário
para sozinho estar
e me aguentar
dentro desta
casa de ferro negra e funesta.

08.05.2016

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