Cansaço

Cansaço; Cansaço;
Cansado deste cansaço
que sem qualquer embaraço
me percorre todo o corpo;
Visão turva, formas baças,
razões escassas
para viver, continuar
sem parar.
 
Cansaço; Cansaço;
Cansado do fingimento,
sinto demasiado
mas não me sinto por dentro;
apenas sinto o sofrimento
que me atormenta os dias
nas horas frias
de Inverno.
 
Cansaço; Cansaço;
Cansado de admirar
sofregamente este luar
que se penetra pelo ar
da noite, sem perturbar
o silêncio que domina
nas ruas da minha alma,
lançada numa latrina.
 
Cansaço; Cansaço;
Cansado deste ser,
que sem razão para viver
a viver continua,
apesar da verdade
que se descortina crua
e à luz da Lua
se esconde e se perde.
 
Cansaço; Cansaço;
Cansado de tentar
perceber o que é ter
a vontade de viver
neste caminho que é rio:
calmo pela manhã, de correntes leves e embaladoras,
violento na tempestado
e derradeiro nas piores horas.
 
Cansaço; Cansaço;
Cansado olho o rio,
que sob o sopro do vento
gelado e lancinante, se estende
como um lençól suavizante
antes de desaguar,
brilhante, no mar infinito
de sonhos perdidos.
 
Cansaço; Cansaço;
Cansado do caminho.
Memórias de linho
enroladas neste mundo
de rosas e espinhos
e atiradas ao fundo
do mar
profundo.
 
Cansaço; Cansaço;
Cansado desta frieza,
e sinto com toda a certeza
que toda esta aspereza,
que se revela com clareza
sem margem para a incerteza,
é inseparável dessa
vida que toda a gente preza.
 
E cansado, cansado,
cansado sigo o meu caminho.
Sigo o caminho ténue
entre o sonho e realidade,
revestido por um véu de ilusão.
Vejo tudo através
desta lente de desilusão.
02.05.2016
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